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Resiliência cibernética e segurança de dados

O maior erro que as organizações cometem em relação à soberania digital 

Se sua estratégia de soberania começa pelos data centers, você provavelmente está resolvendo o problema errado. 


Há alguns anos, a soberania digital era vista, em grande parte, como uma questão de conformidade. Se você armazenasse os dados na região geográfica correta, cumprisse os requisitos regulatórios adequados e respondesse a algumas perguntas de auditoria, geralmente já estava tudo resolvido. Isso já não é mais o caso.

Hoje, a soberania tornou-se um tema de discussão no nível da diretoria. Os governos estão reformulando políticas. Os órgãos reguladores estão intensificando o escrutínio. E os líderes empresariais estão começando a reconhecer que a soberania não se resume apenas ao local onde os dados residem — trata-se de como as organizações continuam operando quando premissas geopolíticas, jurídicas ou operacionais mudam repentinamente.

No primeiro episódio da nossa série STRIVE sobre soberania digital, conversei com Max Mortillaro, cofundador e diretor de pesquisa do Osmium Data Group. Juntos, analisamos o que a soberania realmente significa, por que o debate ganhou força tão rapidamente e em que pontos as organizações tendem a cometer erros. Assista ao episódio completo.

Pontos principais

  • A soberania digital não é mais apenas uma questão de conformidade — tornou-se uma preocupação relacionada à resiliência e à continuidade dos negócios.
  • A localização dos dados é apenas uma peça do quebra-cabeça. A jurisdição, as operações, as dependências tecnológicas e a governança também são fatores importantes.
  • Muitas organizações se concentram em controles técnicos antes mesmo de compreender o problema de negócios que estão tentando resolver.
  • A incerteza geopolítica está acelerando as iniciativas de soberania, especialmente na Europa.
  • Não existe um ambiente perfeitamente soberano. Toda organização precisa fazer escolhas ponderadas entre risco, custo e requisitos operacionais.

Por que a localização dos dados não é tudo

Um dos equívocos mais comuns em relação à soberania digital é que ela se resume à geografia. Se os dados forem armazenados em um data center local, segundo esse raciocínio, o problema da soberania está resolvido. É uma suposição compreensível. Afinal, muitas das primeiras discussões sobre soberania concentraram-se fortemente nos requisitos de residência de dados e nos locais onde as informações poderiam ser armazenadas legalmente.

Mas, como Max destaca durante nossa discussão, essa é apenas uma dimensão de um desafio muito maior. A soberania não se resume simplesmente à localização de um data center. Trata-se também de quem o opera, quais leis se aplicam a ele, quem tem acesso a ele e quais dependências existem nos bastidores.

Um serviço de “nuvem” pode estar fisicamente localizado em um determinado país, mas isso não significa necessariamente que esteja imune a influências jurídicas, operacionais ou tecnológicas originárias de outros lugares. É aí que a conversa se torna significativamente mais complexa.

As dependências ocultas que a maioria das organizações ignora

Quando as organizações começam a explorar o tema da soberania, muitas vezes o abordam como um projeto de tecnologia. Elas avaliam locais de hospedagem. Analisam estratégias de replicação. Examinam onde as cargas de trabalho devem ser executadas. Essas discussões são importantes, mas também podem criar uma falsa sensação de confiança.

Como explica Max, os ambientes tecnológicos modernos são construídos com base em camadas de dependências que nem sempre são visíveis. Um serviço pode parecer local à primeira vista, mas pode depender de infraestrutura, sistemas de gerenciamento, serviços de telemetria ou controles operacionais que existem em outros locais.

É por isso que a soberania não é simplesmente uma questão de localização. É uma questão de influência. Quem, em última instância, controla o serviço? Qual jurisdição se aplica quando surgem disputas? O que acontece se tensões geopolíticas introduzirem novas restrições, regulamentações ou limitações ao acesso? Essas não são mais perguntas hipotéticas. Elas estão se tornando parte das avaliações de risco no mundo real.

Prévia: A soberania é mais do que um problema técnico

Nesta parte da conversa, Max explica por que as organizações costumam iniciar as discussões sobre soberania pelo ponto errado – e por que a compreensão dos objetivos jurídicos, operacionais e comerciais deve vir antes de qualquer decisão tecnológica.

Por que a Europa está liderando o debate

Um dos pontos mais interessantes de nossa discussão gira em torno do motivo pelo qual a soberania se tornou um tema tão predominante em toda a Europa. A resposta não está apenas na regulamentação; está na dependência. As organizações europeias têm se tornado cada vez mais conscientes de que muitas das tecnologias das quais dependem diariamente são de propriedade, operadas ou administradas fora de seu controle direto. Durante anos, essa realidade foi amplamente aceita como parte do ecossistema tecnológico global.

Hoje, essa suposição está sendo reavaliada. As tensões geopolíticas, as mudanças na regulamentação e a crescente preocupação com a autonomia estratégica fizeram com que a soberania ganhasse maior destaque na lista de prioridades tanto dos governos quanto das empresas. O que antes era considerado um caso isolado tornou-se uma preocupação comum no mundo dos negócios. O resultado é um reconhecimento cada vez maior de que a resiliência não se resume apenas à recuperação de falhas técnicas. Trata-se também de compreender e gerenciar as dependências externas antes que elas se transformem em interrupções nos negócios.

Soberania e resiliência são a mesma coisa

Um dos temas que você verá surgir repetidamente ao longo da discussão é o quanto a soberania e a resiliência estão intimamente ligadas. À primeira vista, elas podem parecer disciplinas distintas. Uma se concentra em governança, regulamentação e controle. A outra se concentra em Recovery, continuidade e Readiness operacional.

Na prática, elas estão profundamente interligadas. Se uma empresa não conseguir acessar sistemas essenciais devido a um evento geopolítico, uma restrição regulatória ou dependência de terceiros, o resultado não será muito diferente de outras interrupções para as quais as organizações passam anos se preparando.

A empresa ainda precisa operar. Os clientes ainda precisam ser atendidos. Recovery ainda precisa ocorrer. É por isso que, cada vez mais, vejo a soberania sob a mesma perspectiva que a resiliência cibernética. Ambas se referem, fundamentalmente, à redução da exposição a eventos que possam interromper as operações e à preparação da organização para continuar funcionando quando esses eventos ocorrerem.

Comece pelo problema de negócios

Talvez o conselho mais prático que Max compartilha seja também o mais simples. Antes de avaliar ofertas de nuvem, antes de contratar fornecedores e antes de debater arquiteturas técnicas, as organizações devem, em primeiro lugar, entender qual problema estão tentando resolver. Isso significa compreender:

  • Quais são os processos de negócios mais críticos?
  • Quais ativos de dados são os mais importantes?
  • Quais são os requisitos regulatórios aplicáveis?
  • Quais riscos estão realmente sendo mitigados?

Somente depois que essas perguntas forem respondidas é que faz sentido avaliar as opções tecnológicas. Com muita frequência, as organizações partem das soluções e trabalham de forma retroativa em direção ao problema. A soberania exige a abordagem oposta. A estratégia deve vir em primeiro lugar. Em seguida, a arquitetura.

Por que não existe uma resposta perfeita

Uma das realidades que os líderes precisam aceitar é que não existe um ambiente perfeitamente soberano. Toda organização opera dentro de uma rede de dependências. Toda escolha tecnológica implica em compromissos. Toda decisão sobre riscos envolve equilibrar requisitos operacionais, obrigações de conformidade, considerações de custo e resultados de negócios.

O objetivo não é a perfeição. O objetivo é compreender essas escolhas com clareza suficiente para tomar decisões bem fundamentadas. As organizações que encaram a soberania como uma questão binária — sim ou não — muitas vezes se sentem frustradas. As organizações que a encaram como um exercício de gestão de riscos tendem a obter melhores resultados.

Por que essa discussão é importante

A soberania digital está passando rapidamente de um tema de conformidade de nicho para uma questão estratégica de negócios. Os conselhos de administração estão fazendo perguntas. Os órgãos reguladores estão intensificando o escrutínio. Os clientes estão cada vez mais conscientes de onde seus dados estão armazenados e quem os controla. Ao mesmo tempo, a incerteza geopolítica continua a redefinir a forma como as organizações encaram o risco. Isso não significa que todas as empresas precisem passar por uma transformação radical em termos de soberania amanhã.

Mas significa que as organizações que começarem a traçar uma estratégia clara hoje estarão em uma posição muito mais sólida do que aquelas que esperarem até que a discussão se torne inevitável. A soberania não é uma decisão tecnológica disfarçada de problema empresarial. É um problema empresarial que exige a articulação de decisões jurídicas, operacionais e técnicas.

Assista ao episódio completo

Nesta edição, Max e eu exploramos:

  • O que a soberania digital realmente significa.
  • Por que a localização dos dados, por si só, não é suficiente.
  • As dimensões jurídicas e operacionais que as organizações costumam ignorar.
  • Como os acontecimentos geopolíticos estão influenciando as estratégias de soberania.
  • Por que a soberania e a resiliência estão se tornando inseparáveis.

Assista agora

Perguntas frequentes

P: O que é soberania digital? 

R: A soberania digital refere-se à capacidade de uma organização de manter o controle sobre seus dados, tecnologia, operações e governança dentro de limites legais e jurisdicionais específicos.

P: A soberania digital é a mesma coisa que a residência de dados? 

R: Não. A residência de dados é um dos componentes da soberania, mas a soberania também inclui jurisdição legal, controle operacional, dependências tecnológicas e governança.

P: Por que a soberania digital tem se tornado mais importante nos últimos tempos? 

R: A crescente incerteza geopolítica, as mudanças na regulamentação e a preocupação cada vez maior com a dependência tecnológica aceleraram o interesse por iniciativas de soberania.

P: Qual é o maior erro que as organizações cometem? 

R: Tratar a soberania como um desafio puramente técnico, em vez de uma questão mais ampla relacionada a riscos empresariais e resiliência.

P: Qual é a relação entre soberania e resiliência cibernética? 

R: Ambas as disciplinas têm como foco a manutenção da continuidade operacional diante de interrupções, sejam elas de natureza técnica, jurídica, geopolítica ou regulatória.

P: Por onde as organizações devem começar? 

R: Comece identificando os resultados comerciais que você pretende proteger, os riscos que pretende mitigar e os dados e processos mais essenciais para suas operações.

Alex Zinin é vice-presidente e gerente geral da área de Provedores de Serviços Gerenciados da Commvault.

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